Análise: com cabeça no lugar, São Paulo faz valer superioridade em vitória na Argentina

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GloboEsporte

 Leonardo Lourenço 

Sob pressão, Crespo aposta em escalação ousada e coloca time nas quartas da Libertadores.

O São Paulo tem um time melhor do que o Racing, mas chegou à Argentina para o jogo de volta das oitavas de final da Libertadores em desvantagem. E sob considerável pressão pela péssima campanha que faz no Brasileiro, onde se distancia da zona de rebaixamento por meros dois pontos.

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Nesse contexto de desconfiança, o time colocou a cabeça no lugar, Hernán Crespo ousou na escalação e saiu da Argentina com uma vitória incontestável, um 3 a 1 que mantém vivo o sonho do tetra da Libertadores.

O São Paulo foi dominante em quase todo o jogo e selou a classificação logo no começo do segundo tempo, quando Marquinhos fez 2 a 0 – o primeiro gol saiu no primeiro tempo, de Rigoni.

Marquinhos e Gabriel Sara comemoram gol sobre o Racing — Foto: Staff Images / CONMEBOL

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O 2 a 0 obrigaria o Racing a virar o jogo, uma missão que o time argentino não demonstrou condições de realizar em momento algum. Rigoni ainda faria mais um, o terceiro, e os donos da casa depois diminuíram, mas não houve ameaças à classificação tricolor.

Como visitante e após semanas de críticas, Crespo apostou num time mais técnico na Argentina, com Liziero, Gabriel Sara e Benítez no meio, Rigoni e Marquinhos no ataque – o jovem, de 18 anos, ganhou a responsabilidade de formar o setor num jogo de mata-mata de Libertadores e não se intimidou.

Com Eder machucado, Crespo ignorou Pablo e Vitor Bueno – ambos já tiveram chances demais, corresponderam muito pouco.

A coragem do treinador foi recompensada. Rigoni, de volta de lesão, foi fundamental e formou dupla interessante com Marquinhos.

São Paulo cresceu com Rigoni e Marquinhos — Foto: Reuters

São Paulo cresceu com Rigoni e Marquinhos — Foto: Reuters

Miranda, outro jogador que voltou ao time após se recuperar de uma contusão muscular, também foi pilar da equipe na Argentina. Muito seguro, como geralmente é, ainda foi responsável pelo lançamento que originou o primeiro gol tricolor.

O São Paulo teve o domínio do jogo. Não se afobou, mesmo sabendo que tinha que fazer um gol ao menos para avançar. Esperou o momento certo e, desta vez, não vacilou quando as chances apareceram. Depois, usou a necessidade que o Racing teve de se expor para matar a classificação.

Foi um jogo para empurrar o time não só às quartas da Libertadores – onde pode encontrar o Palmeiras, que venceu a Universidad Católica por 1 a 0 na ida e que deve confirmar favoritismo no Allianz Parque nesta quarta – mas também para longe da crise instalada no Brasileiro.

As lesões ainda atormentam a comissão técnica, mas é óbvio que o 15º lugar que o time ocupa no nacional não condiz com a capacidade da equipe. Mas não se deve subestimar os riscos.

O São Paulo agora mira se afastar da zona de rebaixamento, já que as quartas da Libertadores estão previstas para daqui três semanas – nesse período, ainda enfrenta o Vasco nas oitavas da Copa do Brasil.

Primeiro, enfrenta o Flamengo, domingo, no Maracanã, pela 13ª rodada do Brasileirão.

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