Investigação cita conselheiro do São Paulo em conluio com homens que atacaram ônibus em janeiro

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GloboEsporte

Leonardo Lourenço

Polícia apura identidade da pessoa que teria informado a agressores o trajeto do veículo até o Morumbi antes de duelo contra o Coritiba; 15 pessoas foram denunciadas.

Uma investigação da Polícia Civil paulista cita que um conselheiro do São Paulo participou do planejamento do ataque ao ônibus do time, apedrejado por torcedores em janeiro, pouco antes da partida contra o Coritiba, em janeiro, pelo Campeonato Brasileiro de 2020.

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O inquérito está sob sigilo, e a identidade do conselheiro que teria atuado na emboscada ainda não foi revelada, sendo o foco do trabalho dos investigadores neste momento.

Ao ge, o São Paulo afirmou que acompanha o processo e que espera que “todos os culpados pelo ato sejam encontrados, responsabilizados, julgados e punidos com o rigor da lei”.

O conselheiro teria sido o responsável por informar os torcedores sobre o trajeto do ônibus entre o CT da Barra Funda e o estádio do Morumbi. O veículo foi atacado próximo à ponte Eusébio Matoso, na Zona Oeste.

Ônibus do São Paulo foi apedrejado por torcedores — Foto: Reprodução

Ônibus do São Paulo foi apedrejado por torcedores — Foto: Reprodução

Catorze pessoas foram presas em flagrante. Com elas, foram encontrados objetos como barras de ferro, rojões e bombas caseiras. O Esquadrão de Bombas da Polícia Militar foi acionado para detonar os explosivos.

Além deles, o Ministério Público denunciou um dirigente da Torcida Independente, Bruno Arcanjo, por supostamente ter participado do planejamento do ataque, o que ele nega.

Na época, foram apreendidos os telefones celulares dos denunciados. Foi a partir da análise desses aparelhos, meses depois, que a investigação avançou.

Em julho, já com a apuração sob sigilo, a Justiça autorizou uma operação de busca e apreensão e a prisão temporária de três dos 15 réus.

Foram determinadas buscas nas residências dos acusados e em um bar na Vila Dalva, Zona Oeste de São Paulo, que pertence à esposa de um desses homens. Ali, segundo a investigação, torcedores se reuniram para planejar o ataque.

Marcas do ataque ao ônibus tricolor — Foto: Marcos Ribolli

Marcas do ataque ao ônibus tricolor — Foto: Marcos Ribolli

Um dos réus que teve prisão temporária decretada em julho, Rebert Pereira, entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Ao concedê-lo, o desembargador Willian Campos cita um trecho da decisão anterior, do juiz de primeira instância, em que foi decretada a prisão, com a seguinte justificativa:

– É possível verificar a existência de indícios de autoria e de materialidade do fato, eis que apurados, em tese, a participação de um conselheiro do clube, que passou informações privilegiadas aos agentes, e o bar utilizado por eles para combinar as atividades criminosas.

Trecho de decisão sobre habeas corpus cita participação de conselheiro, segundo investigação — Foto: Reprodução

Trecho de decisão sobre habeas corpus cita participação de conselheiro, segundo investigação — Foto: Reprodução

Outras três fontes consultadas pela reportagem confirmaram que a polícia investiga um conselheiro do São Paulo, não nomeado, como o suposto responsável por informar o trajeto do ônibus aos torcedores.

Uma versão é a de que o conselheiro teria procurado lideranças da Torcida Independente dias antes do jogo para sugerir a realização de protestos contra a equipe.

Na véspera do jogo, na sexta-feira, torcedores se reuniram em frente ao CT da Barra Funda em manifestação na qual pediam a saída do técnico Fernando Diniz e de alguns jogadores. Esse ato foi pacífico.

Membros da Independente negam relação com o ataque do dia seguinte e afirmam que os denunciados não são filiados à organizada.

A tese de que pessoas do São Paulo teriam participado da ação surgiu logo no começo das investigações.

Chamou a atenção da polícia o fato de os torcedores terem se reunido no local da emboscada apesar de o ônibus, naquele dia, ter feito um caminho diferente do habitual – e definido momentos antes da saída do veículo.

Na reta final do Brasileiro, o time vivia um momento de pressão e havia o temor de ataques do tipo, justamente o que levou a Polícia Militar, que fazia a escolta, e o São Paulo a escolherem o trajeto pela ponte Eusébio Matoso.

Cerca de um mês depois do episódio, o São Paulo pediu e se tornou assistente de acusação na ação penal contra os 15 torcedores.

Procurado pela reportagem, o clube se manifestou em nota:

“O São Paulo Futebol Clube não comenta casos em andamento, sobretudo os que estejam correndo em segredo de Justiça, como este. No entanto, o clube ressalta que acompanha de perto o andamento do processo e espera que os todos os culpados pelo ato sejam encontrados, responsabilizados, julgados e punidos com o rigor da lei.”

O Ministério Público apresentou denúncia contra os 15 homens apontados como responsáveis pela emboscada em fevereiro. A ação penal está em fase de apresentação de defesa prévia pelos denunciados.

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