Memórias Tricolor #39 – O Grande Treinador

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O Grande Treinador

Quem foi o maior treinador que o São Paulo Futebol Clube teve? Os mais novos com total certeza falaram em Telê Santana e seu grande discípulo Muricy, porém há na história do Clube um homem que marcou a história do Clube e também da Seleção Brasileira…

Sorridente, bonachão, calmo, Serenocompetente e vencedorsua principal marca era a forma como tratava os jogadores dando liberdade a todos do elenco para falar, sugerir e criticar. Assim podemos adjetivar aquele que é considerado por muitos como o Maior Treinador que o São Paulo teve em sua história. Conquistou pelo Tricolor dois Campeonatos Paulistas, porém ao todo foram 532 jogos dirigindo o Tricolor, com 299 vitórias, 106 empates e 127 derrotas, contamos a história do Imortal Vicente Feola.

Vicente Ítalo Feola, nasceu em São Paulo em 1º de novembro de 1909, filho de imigrantes italianos descobriu no futebol sua grande paixão. Jogou como jogador pelo Auto Sport Clube e Americano da cidade de São Paulo posteriormente foi para o São Paulo da Floresta. Feola, não foi um grande jogador e pouco se sabe desse seu curto período, são poucas as fontes considerando que estes 3 clubes não se profissionalizaram ou deixaram de existir. Já quando jogador, os problemas de obesidade que o acompanhariam por toda vida apareceram, e logo trocou as chuteiras pelo cargo de treinador.

Inicialmente foi participar da comissão técnica do Syrio (atual Sírio), e logo foi convidado pela Portuguesa Santista para completar a comissão técnica e logo assumiu como treinador por alguns jogos. Sua ligação com o São Paulo era muito grande, então em 1937 recebeu o convite para dirigir o mais novo Clube da cidade, o São Paulo, entrou para a história do Clube.

Dirigiu o São Paulo em diversas passagens, 8 no total, 1937-38, 1941-42, 1947-50 quando foi Bicampeão Paulista em 1948 e 1949, 1950-51 (sendo precedido e sucedido por Leônidas da Silva), 1951-53, 1955-57 e finalmente em 1959-60. Sua ligação com o São Paulo Futebol Clube foi tão grande que foi funcionário do Clube com carteira assinada até seu falecimento, mesmo quando servia a Seleção Brasileira ou dirigiu outros Clubes.

Durante o ano de 1961 Feola comandou o Boca Juniors na Argentina, mas logo retornou para comandar a Seleção Brasileira.

Foi pela Seleção Brasileira que Vicente Feola alcançou sua maior glória, em 1958, quando para surpresa da crônica esportiva foi escolhido como treinador para o Mundial na Suécia. Os jornalistas e todos ligados ao esporte à época se dividiam, os cariocas queriam Manuel Agustin Fleitas Solich, um paraguaio que era treinador do Flamengo, enquanto os paulistas desejavam Flávio Costa, treinador da Portuguesa, mas com passagens vitoriosas pelo Flamengo e Vasco da Gama, porém tinha fama de centralizador e colecionava uma das principais tristezas nacional, a derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950.

O Presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), atual CBF era João Havelange, que desejava a todo custo uma equipe vitoriosa e para isso chamou o experiente e super competente Paulo Machado de Carvalho, delegando a este total poderes na Seleção. Paulo Machado já havia comandado em 2 ocasiões a Presidência do São Paulo Futebol Clube e tinha total confiança em Vicente Feola.

Para surpresa de todos no início do ano de 1958, Paulo Machado de Carvalho anunciou Vicente Feola como técnico da Seleção Brasileira e sua primeira partida no comando da Seleção Canarinho foi em 4 de março com uma goleada sobre o Paraguai por 5 a 1. Na ocasião Vicente Feola era Supervisor de Futebol do São Paulo, estava afastado das funções de treinador em razão de problemas cardíacos, mas isso não o impediu de aceitar o convite para a Seleção, sorte de nós brasileiros.

Para a Seleção de 1958 Feola convocou um jovem de apenas 17 anos, e certo de que este jogador seria de muita importância ao futebol brasileiro, mesmo com diversas críticas contra esta convocação não jogou a toalha e teve um de seus raros ataques de nervos assumindo toda a responsabilidade que viesse a causar, mas não abria mão do jovem atleta.

Assim Pelé surgiu para o Futebol Mundial, a Seleção Brasileira encantou o Mundo e Pelé fez na final da Copa de 1958, um de seus gols mais bonitos de toda a sua brilhante carreira, ao receber na área, matar no peito, dar um chapéu em seu marcador e chutar seco para garantir o Título Mundial.

Para a Copa de 1962, Vicente Feola era nome certo, porém os problemas de saúde apareciam e uma nefrite aguda o impediu de comandar a Seleção. Retornou para a Copa de 1966, quando a Seleção Brasileira decepcionou e apresentou seu pior resultado em Copas. Vândalos revoltados apedrejaram a casa de Feola que assim se despediu de uma vez da Seleção.

Continuou funcionário do São Paulo até seu falecimento que ocorreu em 6 de novembro de 1975, uma quinta feira, que ficou marcada na memória dos torcedores quando próximo à hora do almoço as rádios começaram a divulgar a triste notícia. Os problemas cardíacos e renais levaram nosso Grandioso Treinador.

Vicente Feola teve grande importância no Futebol Brasileiro e Paulista, pelo São Paulo foi quem teve a ideia da contratação de Leônidas da Silva, a quem também demoveu da ideia de aposentadoria em 1947, levando o Diamante Negro a se consagrar Pentacampeão Paulista e um dos maiores ídolos da Torcida Tricolor.

Na Seleção Brasileira Vicente Feola foi um dos principais responsáveis pela conquista de 1958, pois teve duas grandes ousadias,  insistir muito na convocação de Pelé e implantar o inédito sistema 4-2-4 que levou o Brasil a vitória.

Vicente Feola, nosso Maior Treinador, um Super Campeão figura em nossa galeria de ídolos para sempre!

Gustavo Flemming, 40 anos de amor ao SPFC, é empresário no segmento de pesquisa de mercado e consultoria em marketing.

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