Observatório SPNet – Reconstrução

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Amigos da SPNet, feliz em regressar à essa comunidade, farei algumas observações sobre a realidade do clube nesses primeiros 3 meses da temporada, momento de expectativas contidas em que ainda é muito prematuro fazer qualquer tipo de prognóstico.

“RECONSTRUÇÃO”

Observando a “reconstrução” do São Paulo após um longo período sob os efeitos da centralização de poder, de interesses escusos e da ausência de uma oposição política capaz de fiscalizar, confrontar e apresentar uma via que se diferenciasse de fato do grupo da situação, o clube vem conseguindo pequenas evoluções, quase imperceptíveis.

EDGARDO BAUZA

A contratação de Edgardo Bauza, apesar de seu currículo conter duas conquistas da principal competição continental, foi uma grande aposta. O objetivo principal é dar ao “novo” time mais equilíbrio e maior resistência defensiva, mas diferentemente do que se vislumbrou com a contratação de Juan Carlos Osorio, não se espera a introdução de conceitos modernos de futebol e variações táticas surpreendentes, e sim métodos de treinamento tradicionais que poderão diferir do que já nos é conhecido por detalhes da escola argentina de futebol.

Sou totalmente contrário aos que já pregam uma troca do comando. Acho que o trabalho pode sim render bons frutos a médio prazo e que mais do que qualquer outro treinador ele precisará do respaldo da diretoria e da paciência da torcida.

Em treinador só se mexe em caso muito extremo.

ELENCO

O elenco sofreu poucas modificações e isso por si só já é suficiente para deixar a torcida apreensiva. Porém, a maioria das contratações foi feita seguindo um critério mais rigoroso no que se refere ao quesito respeito/comprometimento/vergonha na cara. Chegaram jogadores com perfil mais vigoroso, que não desistem das jogadas e que não aceitam derrotas placidamente, características pouco comuns nos times dos últimos anos.

Como em todo trabalho que se inicia em solo pouco fértil, a colheita de resultados deve demorar. O futebol do time ainda é irregular e não empolga ninguém, algo que considero até certo ponto natural após apenas três meses sob nova direção. Bauza busca o time ideal com modificações constantes e ainda parece muito distante de encontrá-lo.

Faltam bons jogadores. Contratar reforços é necessário.

FORA DE CAMPO

Fora de campo o terreno permanece instável, mas com mudanças importantes. A saída de Milton Cruz era algo que o recém chegado diretor de futebol desejava há muito tempo. Luiz Antonio Cunha fez parte por algum tempo de uma lista de discussão de torcedores criada por mim e nunca se mostrou simpático ao papel desempenhado pelo Milton dentro do clube. Não é por acaso que a primeira cabeça a rolar tenha sido a dele, de modo que esse discurso de que ele estava sendo subaproveitado e era muito querido é tudo conversa mole.

Esse novo diretor é bem intencionado, apaixonado pelo São Paulo, mas está longe de ser o profissional que um clube grande deveria buscar para uma função tão importante. Teria que ser alguém de fato preparado, com larga vivência no futebol, de preferência também dentro de campo. A declaração dele quando assumiu o cargo dizendo que a torcida terá um representante na diretoria ilustra bem a visão amadora que ainda predomina na maioria dos clubes brasileiros. Dirigente de clube não tem que ser torcedor, tem que ser profissional, racional, ter experiência e competência comprovada NO FUTEBOL.

Para mim, o perfil ideal seria o do ex-jogador Leonardo, com experiência em grandes clubes europeus e alinhado com um conceito moderno de gestão de futebol, mas enfim, é o que tem pra hoje. Parece que ele vinha fazendo um bom trabalho na base. Vamos esperar que ele faça um bom trabalho também no profissional.

PINTADO

Vejo com bons olhos a escolha de Pintado como auxiliar em uma nova comissão técnica fixa. Acho importante que nesse momento de instabilidade existam profissionais que sabem o que é o São Paulo FC e sua real dimensão no cenário do futebol brasileiro, sulamericano e mundial, próximos dos jogadores aplicando doses homeopáticas de respeito e amor pelo São Paulo. Isso está faltando e sem isso um grupo de jogadores não conquista títulos. Desejo boa sorte a esse grande guerreiro tricolor.

FUTURO NA LIBERTADORES

Todo esse contexto me deixa de certo modo sereno diante da situação delicada da equipe na principal competição da temporada. Acho que não será anormal uma eliminação dita precoce, já que na minha opinião o São Paulo FC sequer merecia essa vaga pelo que fez em 2015. Foi uma ironia do futebol um time regular e eficiente como o do Santos, que fez o que fez na temporada passada, não ter conseguido uma vaga na Libertadores, e um time composto por jogadores sem brio, que jogavam um futebol sem graça e absolutamente desinteressado acabar conseguindo.

A classificação para a próxima fase, diante do atual cenário, será algo totalmente inusitado.

Uma eliminação, no entanto, poderá fazer com que a consciência de que muita coisa ainda precisa ser melhorada seja compartilhada intensamente por todos no clube. Meu palpite para o jogo contra o River Plate, 1 a 0.

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Sandro Acosta é jornalista e escreve nesse espaço todos os sábados.

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