Além das 4 linhas – Treinadores

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Muito se fala de treinadores estrangeiros fazendo sucesso no Brasil, país onde sempre tivemos poucos treinadores realmente muito bons.

A pergunta é simples: Qual treinador brasileiro já venceu ou chegou à final da copa dos campeões da Europa? Na minha geração nenhum. Assim como nenhum treinador brasileiro chegou a treinar, na história recente, alguma grande seleção campeã do mundo.

Já faz tempo eu escrevi uma  coluna sobre este tema. Eu tenho uma tese polêmica sobre isso: Para mim a falta de grandes treinadores brasileiros está na população brasileira como um todo. Explico: O grande problema do Brasil é a fraca educação que nosso povo recebe. Fica difícil para um menino de origem  humilde(a maioria dos nossos jogadores) um dia, sem estudo, tornar-se um treinador, que é um cargo que exige uma série de conhecimentos além do evidente conhecimento sobre futebol.

Já faz alguns anos li o ótimo livro do Maurício Noriega sobre os 10 maiores treinadores da nossa história. Para mim serviu para clarear ainda mais o assunto e a minha tese.

Como são poucos os jogadores oriundos de famílias que tenham tido condições de dar educação aos filhos, poucos tornam-se treinadores. A proporção é a mesma ou ainda menor, pois como jogador ganha bem, o jogador que tenha estudado acaba por sair  do futebol ao final  da carreira, e acho que sai por inúmeras razões, inclusive pela falta de organização e profissionalismo que temos por estes lados do mundo, o que é mais uma conseqüência da má educação que temos. O tal do círculo vicioso.

Uma pena, mas o SPFC ao procurar um treinador de alto nível, e querendo sair dos nomes de sempre, foi buscar aqui na América Latina os seus dois últimos treinadores e ambos agradaram. Eu sei que o assunto é polemico, mas vale a reflexão para lutarmos por um futuro melhor do país e do esporte por conseqüência.

Para finalizar eu não poderia deixar de citar o belo gol que o Cueva fez ontem na  copa de seleções sul americanas. Também quero aqui deixar meu registro de espanto e lamentação pela saída do Luiz Cunha do futebol do mais querido clube do Brasil. Para mim o  assunto não está ainda bem explicado. O motivo alegado pelo Luiz não me parece grande o suficiente. Esperemos as próximas notícias. Mas uma coisa deve ser colocada: Que isso não sirva de estopim para mais uma crise. Um verdadeiro são paulino não faria isso como clube do coração.

Salve o tricolor paulista, o clube da fé.

Carlito Sampaio Góes

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Carlito é advogado, trabalha como representante comercial, frequenta o Morumbi desde 1977 e prefere o time que vence ao time que joga bonito. Escreve nesse espaço todas as quintas-feiras.

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