Além das 4 linhas – Jardine

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O ano de 2018 acabou de forma positiva quando analisamos pela ótica de 2017, mas de forma a nos deixar com o sentimento que dava para ter feito mais.

Preocupa o aproveitamento de Jardine no comando do time nas últimas cinco rodadas, com duas derrotas, dois empates e uma vitória. Isso é aproveitamento de time rebaixado. Quem espera muito de 2019 é melhor comprar algumas caixas de calmantes. Está claro até agora a opção por fazer na próxima temporada um trabalho de base. Uma evolução em relação a este ano, mas deixando conquistas para um terceiro momento.

Este ano o elenco sofreu uma reformulação e houve choque de gestão dentro e fora de campo. Dentro de campo com a contratação de três ex-grandes jogadores com muita experiência e respeito e fora de campo com o trabalho destes mesmos três gestores junto ao conselho de administração que agora o SPFC tem. Se olharmos e analisarmos o trabalho ele foi bem sucedido até aqui. Lembremos que estamos no primeiro ano de trabalho deles todos.  Lendo uma matéria sobre o Palmeiras o repórter dizia que o elenco atual começou a ser montado em 2015, ou seja, tem quatro anos de trabalho com muito mais recursos financeiros, provenientes de um parceiro, coisa que o SPFC nunca teve e não sei se terá. Mas no nosso vizinho foi Felipão quem fez a diferença ao assumir um bom elenco que estava sem um bom comando.

Eu nunca li muita coisa sobre a administração profissional que o SPFC tem hoje graças ao seu novo estatuto que criou o conselho de administração, mas percebo, posso estar errado, que o clube preza pela responsabilidade financeira. Primeiramente é sempre bom lembrar que dos recursos arrecadados pelo clube, apenas uma parte é direcionada a contratações. O tempo de gastar mais do que ganha acabou no SPFC. Mesmo  assim o clube ficou numa quinta colocação após ter em 2017 o pior ano de sua história. Se isso está certo teremos um 2019 um pouco melhor do que foi este ano. De agora em diante a evolução será menor, já que chegamos ao clube dos melhores do Brasil novamente e terminar um BR na frente dos dois de Minas Gerais, do Flamengo, dos três de São Paulo e dos dois do Rio Grande do Sul é sempre difícil. São nove clubes e ficamos em quinto lugar.

Conseguiremos disputar a ponta de forma mais competitiva até o final no próximo BR? Isso depende de como Jardine será no profissional em seu primeiro ano. Como será o comportamento dos jovens de Cotia? Helinho, Igor, Toró, Luan, Fabinho e demais crias do CT serão aquilo que o clube precisa? O clube busca, além de subir a molecada,  um segundo volante, um meia, um novo camisa nove e um atacante de lado, todos com certa experiência. A tal Cueva dependência virou Nene dependência e Éverton dependência. Nenhum garoto aproveitou a oportunidade de forma a nos entusiasmar em 2018.

Escrevo este texto com muita tranqüilidade porque confio no trabalho do Raí. Na verdade eu gostaria que o presidente do clube fosse um cara mais ativo e do futebol, um cara político e atuante nas esferas internas e externas. Um único nome vem à minha cabeça: Marco Aurélio Cunha. Ele faria a diferença em minha modesta opinião.  Hoje vejo o clube no caminho da profissionalização. Vejo a paixão cega e o fanatismo saindo aos poucos do clube, pelo menos na administração, o que é muito bom. Este tipo de administração emocional fez o Juvenal com muito sucesso, mas depois o preço foi alto. Administração do tipo picareta que ocorre no clube sem cor não combina conosco. Hoje eles devem R$ 2 bilhões, pois por azar deles e sorte do Brasil, nosso país mudou bem na hora que a Petrobrás por ordem do Lula iria pagar a conta do estádio.

Aqui no Morumbi a coisa sempre foi diferente e se nos perdemos nos últimos anos com os desmandos de gente nada profissional e sem competência e ética, agora estamos a colocar o trem nos trilhos, coisa bem difícil de se fazer com a corrida em pleno andamento, pois os adversários não param. Os clubes se organizam faz alguns anos e o nosso andava de marcha a ré. Agora meus amigos, só com muita paciência, pois sair de negativo e passar ao positivo não é fácil. Na verdade acho que a palavra é inteligência emocional.Sem ela voltaremos ao mesmo lugar que estamos começando a sair.

Salve o tricolor paulista, o clube da fé.

Carlito Sampaio Góes é advogado, trabalha como representante comercial, frequenta o Morumbi desde 1977 e prefere o time que vence ao time que joga bonito. Escreve nesse espaço todas as quintas-feiras.

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