Além das 4 linhas – Hora de vender

1992

Muito já se falou dos jogos contra o Ituano e contra o Palmeiras e eu, como de costume, prefiro sempre falar de assuntos que ficam de fora das 4 linhas mas interferem dentro das 4 linhas. Meu assunto de hoje é a venda de jogadores jovens e talentosos, coisa da mais alta especialidade tricolor e que muitas vezes nos chateia demais. Há poucos dias o Raí deu uma entrevista dizendo da falta de interesse do SPFC em vender os jovens neste momento. Só me faltava esta, vender os jovens mais talentosos e importantes do time agora, antes mesmo deles fazerem todo o sucesso que podem nesta primeira etapa de suas carreiras.

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Já faz muito tempo, e os exemplos são muitos, que os bons jogadores saem antes de deixar frutos esportivos, só deixando frutos financeiros. Defender as vendas de Luiz Araújo e David Nerez é muito difícil. A diretoria cita sempre que precisa de dinheiro, mas o cofre é sempre um lugar onde o segredo nunca é revelado, a transparência não é uma qualidade da nossa administração. Agora temos jogadores também talentosos que encontrarão em 2020 um momento dentro da carreira muito superior ao momento de 2019. Como todos eles tem por  volta de 20 anos, fico imaginando se um jogador não pode ficar até seus 21 ou 22 anos de idade no clube formador. Como fazer para segurar os melhores e mais importantes, aqueles capazes de conquistar taças pelo SPFC? Uma das maneiras é renovar e dar salários de profissional. Em breve o Antony vai precisar ganhar o mesmo de Everton e Pablo, por exemplo, do contrário vai embora. Ou há interesse que ele vá embora?

Vocês vão ficar pensando como o clube vai fazer para pagar estes salários e eu também. Mas  vi o Morumbi vazio em muitos jogos do paulista. Por que vazio? Porque a torcida quer ver bons jogos e um clube mal administrado não dá bons espetáculos dentro de campo. O Crefisa FC só joga com estádio lotado e cobrando mais caro do que todos os demais clubes. A receita do bolo está aí para todos verem. A torcida faria sua parte se tivéssemos um bom time e disputássemos as taças com chances de vencer todas. Se o ingresso é R$ 40,00, com time campeão pode ser R$ 50,00 ou mesmo R$ 60,00. Estamos falando em aumento de receita de mais de 30%. Isso é um mero exemplo. E as vendas de camisa? Os direitos de transmissões por PPV, que aumentariam? Prêmios por conquistas e passagem de fases? Isso se chama círculo virtuoso. Uma coisa boa chama outra coisa boa. O inverso também é realidade numa empresa mal administrada, ou seja, uma coisa ruim chama outra coisa ruim.

Está na cara que Luan, Liziero, Igor e Antony, só para citar alguns, possuem talento e devem receber atenção especial. O discurso de venda deve ser alterado para o discurso de conquistas de títulos também no profissional pelos jogadores que são preparados pelo SPFC para brilhar em suas carreiras e ganhar dinheiro para eles e suas famílias. Chega de empresário mandar no SPFC com anuência ou incompetência da nossa administração. O discurso deve ser alterado para que o clube tenha frutos esportivos antes dos frutos financeiros. Basta o clube alterar um pouco a forma  como remunera os garotos que sobem com sucesso. Eu sei muito bem as grandes dificuldades disso tudo que escrevo. Afinal de contas, não se sabe quais jogadores vão brilhar. Sim, mas desde cedo sabe-se os empresários e jogadores mais difíceis de conversar. Como o SPFC tem feito a relação com os empresários dos jogadores de Cotia? Qual o discurso como me referi acima? Há mesmo interesse de todos no clube em permanecer com os jovens ou querem logo vender por conta do dinheiro? Isso tudo é muito importante porque nos últimos anos os times de Cotia ganham tudo e os times profissionais perdem tudo. Se temos os melhores times e jogadores jovens do Brasil, qual a razão de não termos grandes times profissionais? E uma coisa é certa: O clube não vem fazendo com competência a profissionalização dos garotos. Isso tem que mudar!

Basta desta história que estamos vendo há anos no clube. O SPFC cresceu dentro da sua história de clube da fé por conta de grandes homens que administraram este clube maravilhoso. Por isso é passado o momento de fazer valer o novo estatuto e profissionalizar o clube para que os interesses do clube sejam melhor avaliados.

Salve o tricolor paulista, o clube da fé.

Carlito Sampaio Góes é advogado, trabalha como representante comercial, frequenta o Morumbi desde 1977 e prefere o time que vence ao time que joga bonito. Escreve nesse espaço todas as quintas-feiras.

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