Memórias Tricolor – Um astro de cinema?

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O ano era 1936, o São Paulo Futebol Clube tinha quase um mês de sua fundação ou refundação a equipe estava ainda sendo montada, o 1º jogo ainda estava por vir, era preciso um goleiro, guarda metas ou arqueiro, e os novos diretores acertaram em cheio…

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Nascido em Curitiba em 6 de janeiro de 1917, Nivacir Innocenio Fernandes foi um dos primeiros ídolos Tricolor, sua carreira começou aos dez anos de idade em um clube da várzea de Curitiba, o Brasil, porém logo despertou atenção e foi para o Elite um clube da segunda divisão do Paraná, em 1932 o técnico do extinto Palestra Itália de Curitiba o viu jogar e convenceu a ir para seu clube, em apenas 4 partidas virou titular e assim foi até o momento de se mudar para a pujante cidade de São Paulo.

Seu irmão Teleco já atuava na capital paulista, porém pelo Corinthians, e os convites para ir para o Parque São Jorge eram muitos, mas Nivacir veio para a cidade grande decidido a defender as cores de um Clube novo que ressurgia seu nome uma homenagem à cidade e suas cores tinham a bandeira do Estado. Estamos em janeiro de 1936

Um pouco antes em 1933, um filme fez muito sucesso nos cinemas do mundo todo King Kong, em uma famosa cena o gigantesco gorila pegava uma moça com apenas uma das mãos, Nivacir atuava como goleiro, dono de um porte físico avantajado, conseguia segurar a bola com apenas uma mão, algo até então não muito costumeiro, assim ganhou o apelido de King em uma alusão ao filme.

A estreia de King como goleiro do São Paulo, foi no primeiro jogo após a refundação do clube na vitória sobre a Portuguesa Santista por 3 a 2 em 25 de janeiro de 1936. King jogou nos anos de 36 e 37 e vi, em 1938 após uma disputa salarial deixou o São Paulo e foi para o Flamengo. No Rio de Janeiro disputou apenas dez partidas, e retornou ao Tricolor.

Ao voltar para o São Paulo, as traves Tricolor eram defendidas por Roberto Gomes Pedrosa, e King foi para reserva. Somente em 1941 King voltou à meta Tricolor, porém foi em 1943 que King se destacou com a conquista do Campeonato Paulista, o ano em que a moeda caiu em pé, no jogo decisivo contra o Palmeiras King foi simplesmente uma muralha, e segundo a Folha de S. Paulo foi o “maior bombardeio de toda a sua carreira”, a ponto que ao final da partida a torcida invadiu o campo e carregou King até os vestiários.

King reinou na meta do São Paulo em 1944, porém perdeu a vaga para Gijo em 1945. Ao todo King disputou 204 partidas, sendo o 7º goleiro que mais defendeu a meta Tricolor. Sofreu 303 gols e deixou o Clube em 1948, sendo Tricampeão Paulista nos anos de 1943, 1945 e 1946. 

Em 1947, o São Paulo implantou um esquema mais profissional de trabalho, implantando regime alimentar diferenciado aos jogadores e concentrações antes das partidas, King não concordava queria manter sua “liberdade” e poder curtir o convívio de seus amigos e as noites alegres paulistanas, então o treinador Vicente Feola sugeriu que King procurasse outro clube e a resposta de King foi direta: “Se não for no São Paulo, não jogarei mais futebol” e assim o goleiro encerrou sua carreira.

Um conselheiro do São Paulo chamado João Guidotti era o presidente do XV de Piracicaba e convidou King para ir defender o XV na segunda divisão, e então o goleiro topou o desafio e conseguiu o título e o acesso para a primeira divisão em 1949, porém após 5 partidas em 49, King decidiu novamente encerrar a carreira e se tornou massagista do clube de Piracicaba. Após 20 anos no XV King trabalhou nas categorias de base, foi chefe de almoxarifado, preparador físico e técnico, além de jogar no time de veteranos do Nhô Quim, como é carinhosamente chamado o XV de Piracicaba.

Nivacir Innocenio Fernandes, o lendário goleiro King foi um dos primeiros ídolos do São Paulo, a quem a Coluna Memórias Tricolor faz esta justa homenagem.

Gustavo Flemming, 40 anos de amor ao SPFC, é empresário no segmento de pesquisa de mercado e consultoria em marketing.

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