Coluna do Fajopa – Túnel do Tempo

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Nessa quarta-feira o São Paulo entra em campo pela Libertadores para manter-se vivo, sendo a vitória o único resultado esperado. O Morumbi deverá ter entre 45 mil e 55 mil pagantes, apesar do péssimo serviço prestado pela Total Acesso, público que será muito positivo para empurrar a equipe para cima do River Plate. Há pouco mais de 10 anos, São Paulo e River chegavam à semifinal da Libertadores para um confronto eletrizante e muito esperado pela torcida Tricolor.

Em 22 de Junho de 2005 o São Paulo chegava ao confronto com o River Plate com histórico negativo. Nos 8 confrontos anteriores, em várias competições diferentes, o São Paulo havia perdido 4 vezes, empatado 3 e vencido apenas uma partida, com 11 gols pró e 13 gols contra. No dia 29 de junho esse histórico ficou em 4 derrotas, 3 vitórias e 3 empates, com 16 gols pró para o Tricolor e 15 gols contra.

Quando adentrei o lotado Morumbi no dia 22 de Junho daquele inesquecível ano de 2005, ainda estava na SPNet como um dos vários proprietários no período, junto com o Artur Couto, que é o único que continua atualmente como proprietário do site, o saudoso Rodrigo Teixeira (Barão) que nos deixou há apenas alguns meses, o historiador Fernando Alécio que também voltou a escrever brilhantes colunas na SPNet e o Ricardo Shiro. Em fevereiro havíamos organizado uma festa inesquecível pelos 75 anos do Tricolor e aquela festa foi o prenúncio de um ano inesquecível. No final de semana após o evento, o São Paulo ganhou fácil do Palmeiras por 3 a 0 e alguns meses depois conquistávamos o nosso último campeonato paulista, com uma campanha muito acima dos rivais. Leão largou o São Paulo no meio da Libertadores por um amigo japonês e chegou Paulo Autuori.

Outra lembrança nesse dia foi de uma derrota doída em 1997, não porquê o São Paulo tenha atuado mal, na verdade o time da dupla Ari-Dodô vendeu caro a derrota para o ótimo time do River Plate de Marcelo Salas e Francescoli, e de certa maneira do juiz Ubaldo Aquino, que foi quem decidiu aquela partida no lotado Monumental de Nunez. O River Plate foi campeão da Supercopa e eu quase quebrei o meu pé de raiva, pois chutei a parede de casa quando comemorava um gol anulado absurdamente pelo bandido paraguaio, que em 2000 garfou o Palmeiras contra o Boca na final daquela Libertadores.

Nesse dia também ocorreria a estreia de Amoroso, contratação de certa maneira bombástica e surpreendente. Um jogador internacional e que pela Seleção e pelas equipes pelas quais passou sempre foi destaque. Grafite havia se contundido e Amoroso chegaria para preencher essa lacuna no ataque. O cara chegou e fez a diferença, uma atuação impressionante, de alguém que parecia que vestia a camisa do São Paulo há anos como destaque. Por pouco ele não marcou, o River Plate foi se segurando na defesa e na catimba e por volta dos 30 minutos a tensão era evidente no Morumbi, pois um empate seria um resultado péssimo.

Meu primo que assistia ao jogo comigo, que como milhares de torcedores não era lá apreciador do futebol solidário de Danilo, cornetava o camisa 10 a todo momento. Aos 31 minutos ele se torna o salvador, ao acertar um chute improvável após uma rebatida da defesa argentina após mais um dos vários escanteios que tivemos. A bola entrou no canto esquerdo do goleiro Constanzo e o Morumbi explodiu. O River Plate sentiu o gol e recuou ainda mais, com o São Paulo indo para cima como um rolo compressor.

Aos 44 minutos Luizão foi ao fundo e cruzou para a área. O ótimo Lucho Gonzalez enfiou a mão na bola e o juiz não titubeou ao apontar a marca da cal. A torcida pediu e o monstro Rogério Ceni foi para a cobrança, para marcar o seu 5º gol na competição, um feito espetacular. O que já era uma boa vantagem tornou-se algo espetacular, com o 2 a 0 e sem levar gol em casa, o que traria muita tranquilidade para a equipe no confronto do Monumental.

Uma semana depois o São Paulo marcou logo de cara e o jogo tornou-se uma mera formalidade, para assombro da torcida argentina. No final mais uma vitória, 3 a 2, com gols de Danilo, Amoroso e Junior. Chegávamos a nossa 5ª final na Libertadores e a uma vitória espetacular em gramados argentinos, o que nunca é fácil, ainda mais contra uma equipe que tinha Gallardo, Mascherano (freguês nosso em tempos de Corinthians), Lucho Gonzalez e Salas. Nesse dia assisti a partida com meu primo, em um churrasco na casa de amigos tricolores. De novo Danilo mostrou sua importância e ao escrever isso lembro do absurdo que foi a ida dele para nosso rival, quando ele queria voltar para o Morumbi. Convenhamos, o cara tem “Campeão” tatuado na testa. Mais um erro dos tempos de JJ, infelizmente.

O resto dessa história todos conhecemos, vencemos a Libertadores em cima do Clube Atlético Paranaense e no final do ano conquistamos nosso terceiro mundial, em cima do Liverpool. Eu diria que até o confronto contra o Palmeiras eu não confiava muito no título, mas a equipe cresceu muito após aquelas duas vitórias, com aquele inesquecível gol de Cicinho no Palestra e com Rogério e Cicinho marcando os gols no jogo de volta no Morumbi, em um jogo duro a partir do momento que perdemos Josué expulso.

Dessa forma o jogo dessa quarta-feira será a partida chave para nossas pretensões na competição. Bauza conquistou duas Libertadores com equipes sem a história do Tricolor e com jogadores modestos, inclusive saindo de momentos difíceis onde a eliminação esteve próxima. Vencendo na quarta a equipe pode ir para a altitude buscando o improvável, e depois disso a história já mostrou muitas vezes que equipes desacreditadas podem se superar nesse tipo de competição mata mata, apesar de ainda termos um elenco, em minha opinião, modesto.

Que a torcida faça sua parte nessa quarta-feira, lotando o Morumbi e empurrando o time para cima do River Plate. Espero que na próxima coluna eu possa estar comemorando mais uma vitória em cima do time argentino.

Pra cima deles Clube da Fé!!!!

fajopaFábio José Paulo (FAJOPA) é economista, 41 anos, é pai da Thaís e escreve nesses espaços todos as segundas-feiras.

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