Febre Tricolor – Quando surge a “Jerarquia”

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Foto: Rubens Chiri
Foto Divulgação Site Oficial: Rubens Chiri

O pacto dos jogadores do elenco do São Paulo após o empate de 1 a 1 contra o The Strongest, na altitude de La Paz, resultou no futebol mais brilhante das oitavas de final da Libertadores. É um primeiro passo para vôos mais altos? Sem dúvida. Estamos bem próximos da mentalidade vencedora? Anos luz, ainda, distantes. Somente na prática poderemos demonstrar isso. Os próximos desafios são a altitude mexicana e, se triunfarmos, provavelmente o fantasma do time brasileiro.

Devido ao momento financeiro do clube, Bauza não teve aqueles jogadores que esperava, os atletas que possuem “jerarquia” e podem fazer um time com padrão de jogo transformar-se em campeão. À brasileira conhecidos como “jogadores de peso” ou “jogadores vencedores”. Mas a noticia boa é que o futebol apresentado pelo São Paulo, se seguir assim, vai transformar os jogadores. Muitos deles vão atingir esse status de “jogadores de decisão”, com bagagem de vencedores. É assim que estão agindo na prática.

Quando é que vamos passar a acreditar mais nisso? Se tudo caminhar dentro da normalidade, já nas quartas de final. O São Paulo terá pela frente, novamente, o fantasma do time brasileiro. Perdeu decisões de Libertadores recentes para Internacional, Fluminense e Cruzeiro. Esses três não eram, à época, os times mais consistentes do País. Esse ano estão na Libertadores os dois melhores times do Brasil no momento: Atlético-MG e Corinthians. Não pela história, mas pelo que produziram e produzem nos últimos anos.

A chance do Tricolor ter em seu caminho o Atlético-MG, caso passe, é real. Superar esses desafios, mais do que nunca, é passar de um status de time com padrão de jogo para um time que pode vencer. Se o acaso nos proporcionou não poder contar com jogadores de “jerarquia”, os que estão em nosso elenco tem totais condições de subir de patamar e fazer história nesse momento.

Contratações pontuais

Quero dizer que independente do que vai acontecer esse time me deixa feliz como joga. Dentro do conselho do São Paulo todos previam que esse ano de 2016 seria muito difícil. Perdemos jogadores insubstituíveis como Alexandre Pato e Luis Fabiano. Principalmente ficamos sem um ídolo de décadas debaixo das traves, o Mito Rogério Ceni. A falta de recursos nos possibilitou realizar três empréstimos: o zagueiro Maicon, o ponta Kelvin e o centroavante Calleri. Além da compra do lateral Eugênio Mena.

Não sei se o torcedor percebeu, mas os quatro ajudaram muito o time, mesmo em nossas derrotas. As contratações da diretoria foram pontuais, e eles tem trabalhado bem e em silêncio. Concordo com o colega colunista Carlos Alves, quando ele fala que o Bauza está certo de pedir reforços pro brasileiro. Jogando nesse nível de entrega que nosso time está, é fundamental outros jogadores de qualidade pra ajudar. Não sei se apenas três como a diretoria planeja ou todos os cinco que o Bauza pede.

Maior desafio

O técnico Edgardo Bauza, ao meu ver, é muito responsável pela melhora da equipe. É comum que nós torcedores tenhamos preferências sobre este ou aquele jogador, mas precisamos entender que cada um tem um modo de ver futebol. Quando o profissional vive dentro das quatro linhas, conhece atalhos e sabe de situações que nós desconhecemos. Bauza imprimiu a sua filosofia de trabalho no São Paulo desde o início, levando alguns à loucura, no momento em que mantinha Centurión, por exemplo.

Vi, durante a semana, comentaristas de tevê falando que Centurión é um jogador ruim, apesar da atuação. Ele não é ruim, é muito bom jogador. É um jovem, de 22 anos, que precisa muito de confiança e de se afirmar no futebol. O técnico Bauza seguiu acreditando nele e passa a colher os frutos nesse momento. Não importa se titular ou reserva, faz parte do grupo e tem apoiado muito o time. Eu mesmo cheguei a achar que Hudson não poderia ser titular, mas o que vem apresentando lhe promove a um dos melhores marcadores que vi. Qualquer um vai jogar bem ao lado dele. Se ele mantiver esse nível será essencial e poderá manter aquela faixa que lhe caiu tão bem no último jogo.

Bauza está se reiventando no São Paulo. Foi campeão com times difíceis de chegar a esse nível, como LDU e San Lorenzo. Primou por uma marcação forte, jogo defensivo e muita disciplina. O São Paulo não tem essas características, e como pedimos na última coluna jogou um futebol exuberante contra o Toluca. Do mesmo modo que fez contra Trujillanos e River. Vamos ver se mantém-se dessa forma.

O futuro

A visão de alguns é mantida sobre o futuro. A maioria acha que o São Paulo não tem um elenco robusto suficiente e de qualidade para passar das quartas-de-final, especialmente se o adversário for o Galo. Parte dos conselheiros já começa a acreditar, no entanto. Após o pacto, os jogadores parecem ter plena certeza que podem. A certeza dos jogadores é a mesma que eu tenho.

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Alexandre Velame é Jornalista e Advogado, são-paulino há quase três décadas e usuário da SPNet desde 1997. Escreve nesse espaço aos domingos.

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6 COMENTÁRIOS

  1. Concordo com quase tudo Alexandre. Porém o Galo tem grandes chances de ficar no caminho, o Racing é um time duro e com atacantes de “jerarquia”.
    Nosso time esta bem e pra mim o único jogador que esta fazendo falta é o Breno que juntamente com o Maicon formariam uma bela dupla e melhoraríamos a saída de bola.

    • Obrigado pela participação Eugênio. De fato, um empate 0 a 0 fora de casa pode parecer um bom placar; mas não é o ideal. Um jogo está ai pra ser jogado. O Gustavo Bou, um dos grandes jogadores do Racing, não pode disputar a primeira partida; não sei se terá condições de jogo. Mas viajou para Belo Horizonte. Também está confirmado o Lizandro Lopes, que chegou a defender o Inter e conhece bem o rival. Será um grande jogo.

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