Memórias Tricolor – Curiosidades da Copa

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E a Copa do Mundo segue dando emoções aos amantes do Futebol, é sem dúvida alguma o Maior Evento do Mundo, o mais emocionante para os amantes da bola…

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Assim, para esquentar ainda mais o clima da Copa do Mundo 2018, vamos contar alguns causos e histórias de personalidades ligadas ao Tricolor Mais Querido, jogadores, dirigentes e personagens que foram ligados ao São Paulo Futebol Clube. Algumas das histórias que listamos já foram contadas em partes de Colunas anteriores, mas vale pelo momento:

Até a Copa de 2018, 136 jogadores que jogaram pelo São Paulo foram convocados para a Seleção Brasileira, 29 tiveram apenas a alegria da convocação e 107 a honra de vestir e atuar defendendo a seleção canarinho.

 

O Primeiro Jogador

A primeira Copa do Mundo organizada pela Federação Internacional de Futebol (FIFA) aconteceu em 1930 no Uruguai. Era ainda a época do futebol amador, os clubes brasileiros não eram profissionais, e apesar de já existir a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), o amadorismo era total e pela sede da CBD ser no Rio de Janeiro, todos os dirigentes eram cariocas. Assim, para a Copa de 30, os dirigentes não queriam jogadores que não jogassem em clubes cariocas.

O primeiro jogador do São Paulo a ser convocado, foi Araken Patusca em 1930. Araken jogou pelo Santos de 1923 a 1929, após ser 3 vezes vice-campeão Araken se desentendeu com os dirigentes do Santos, e solicitou demissão do quadro de associados do Santos. Em janeiro de 1930 o São Paulo da Floresta foi fundado e Araken foi um dos primeiros jogadores do recém-fundado Clube paulista. Araken era jogador do São Paulo, e já defendia as cores Tricolor, porém a Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) ainda não tinha oficializado formalmente a troca, então Araken foi inscrito como jogador do Flamengo e só se integrou ao elenco a caminho de Montevidéo. Araken jamais disputou um jogo oficial pelo Flamengo. Pela equipe Tricolor jogou de 1930 a 1935, e depois em 1938 e 39, quando encerrou sua brilhante carreira.

 

Leônidas, o melhor de 38

O maior jogador do final da década 30, pela seleção jogou de 1932 a 1946, porém só participou das Copas de 34 e 38 em razão das II Grande Guerra não ocorreram as Copas de 42 e 46. Leônidas jogou em 34 como jogador do Vasco da Gama e em 38 do Botafogo. Pela Seleção Brasileira marcou 37 gols em 37 jogos, a maior média da Seleção. Sua transferência para o São Paulo ocorreu somente em 1942. Se as Copas da década de 40 tivesse ocorrido Leônidas com total certeza seria Campeão.

 

Maracanaço, e o Monstro do Maracanã

Copa do Mundo 1950, país sede Brasil, para Seleção Brasileira, bastava um empate frente ao Uruguai na final marcada para 16 de julho. O Brasil saiu na frente, mas cedeu o empate. Às 16 horas e 50 minutos, quando o jogo estava nos 79 minutos do jogo, o Uruguai marca o 2º gol e todo o Estádio do Maracanã fica em silencio absoluto. Uruguai Campeão.

Pelas suas maravilhosas apresentação na Copa de 50, o São-Paulino José Carlos Bauer, nosso eterno Bauer recebeu a alcunha de “Monstro do Maracanã”, título que o fez e fará reconhecido eternamente.

Lutaremos até a morte

Quartas de final da Copa de 1958, Brasil contra País de Gales, Gotemburgo – Suécia, Estádio Ullevi, intervalo de jogo, partida muito dura, empate em 0 a 0. Os jogadores retornavam para o campo, e no caminho do vestiário ao gramado o Goleiro Gilmar dos Santos Neves caminha ao lado de Nilton de Sordi, nosso grandioso lateral direito, ambos conversavam quando e Gilmar disse: “esse é o jogo decisivo para o Brasil e darei meu sangue se for necessário, morrendo pela seleção”.

De pronto De Sordi retrucou: “Se for para morrer em campo, morreremos juntos”.

Por encanto dos Deuses do Futebol De Sordi faleceu em 24 de agosto de 2013, e Gilmar horas depois em 25 de agosto.

O Gesto do Campeão

Ao vencer a Copa do Mundo de 1958 na Suécia, nosso eterno Capitão Bellini, há época jogador do Vasco da Gama, ergueu a taça com as duas mãos sobre a cabeça, gesto que passou a ser repetido em todas as conquistas. Em 1962 Bellini se transferiu para o São Paulo, e foi para a Copa do Mundo no Chile porém ficou na reserva de Mauro, que nesse ano jogava pelo Santos.

O Marechal da Vitória

A derrota na final de 1950 é uma ferida que muitos jornalistas ainda trazem a tona aos dias de hoje, imaginem em 1958? Para a Copa de 54, a CBD tentou curar as feridas, mas o 5º lugar foi insuficiente, assim recém empossado como Presidente da CBD João Havelange convidou o empresário Paulo Machado de Carvalho para ser o Chefe da Delegação com a missão de preparar tudo, poder total e ainda disse:

“Olha doutor Paulo, preciso de uma seleção que faça o povo esquecer a de 1950, uma seleção vitoriosa, um time campeão, e porque eu preciso e tudo isso é que eu o quero como chefe, que arme tudo como quiser, com carta branca.”

Paulo Machado era um empresário de sucesso com emissoras de Rádio e TV, dirigente esportivo tinha experiências de sucesso à frente do São Paulo Futebol Clube onde foi Vice-Presidente e Presidente. Realmente não havia no Brasil em 1958, alguém com tamanha capacidade.

Com a conquista de 58, também lhe foi confiada a mesma missão para o Chile na Copa de 1962. As conquistas de 58 e 62 lhe renderam o título de “Marechal da Vitória”.

Treinador de Confiança

Para ser o técnico da Seleção Brasileira Paulo Machado de Carvalho precisava de um homem de sua inteira confiança e principalmente cumplicidade, pois durante a Copa muitas decisões compartilhadas deveriam ser tomadas. Parte da imprensa clamava por Flávio Costa o treinador de 50, mas Paulo Machado precisava do “seu” homem de confiança e optou por Vicente Feola, seu amigo e companheiro de muito trabalho no São Paulo Futebol Clube.

Para o elenco campeão de 58, Vicente Feola chamou o que entendia serem os melhores, e incluiu nesse seleto grupo seus homens de confiança e companheiros de São Paulo, Dino Sani, De Sordi e Mauro. Dos três apenas Mauro era reserva.

Dino era titular porém se machucou as vésperas do jogo contra a União Soviética e De Sordi foi titular em todas as partidas até o jogo contra a França quando se machucou e não teve condições de jogar a partida final.

Vicente Feola teve participação fundamental na conquista de 58, o primeiro título mundial da Seleção Brasileira, Feola estava encantado com o futebol de um jovem de 17 anos que jogava pelo Santos, Pelé, e para surpresa da imprensa convocou o jogador. Os dirigentes da CBD eram contra a convocação de um menor de idade, mas Vicente Feola foi irredutível e como tinha a confiança de Paulo Machado de Carvalho, Pelé foi para a Suécia.

Pelé foi decisivo na Copa, começou a Copa como reserva e conquistou seu lugar, marcou o único gol na vitória contra País de Gales pelas quartas de finais, na semifinal contra a França marcou 3 dos 5 gols brasileiros, e na final na vitória de 5 a 2 contra a Suécia Pelé marcou o gol mais famoso de sua carreira, e o gol mais bonito de uma final de Copa do Mundo.

O São Paulino Vicente Feola estava certo.

O Uniforme Azul

Após a suada vitória sobre País de Gales por 1 a 0, a Seleção Brasileira enfrentou a França e venceu fácil por 5 a 2, sendo o 1º gol marcado por Vavá aos 2 minutos de jogo, França empatou aos 9, Didi colocou Brasil na frente aos 39 e na 2ª etapa Pelé fez três gols, a França somente descontou no final da partida. Brasil na final.

A Seleção da Suécia venceu por 3 a 1, de virada a Alemanha Ocidental (Campeã de 54) e faria a final contra o Brasil. Suécia x Brasil, sendo a Suécia o país sede, ambas as seleções usavam camisa amarela, e então os organizadores definiram que a Suécia teria a preferência pela cor amarela e o Brasil deveria optar por outra cor. Não havia 2º uniforme, eis um grande problema jamais previsto por Paulo Machado de Carvalho.

No dia seguinte a partida contra a França, Dr. Paulo saiu às ruas da cidade para tentar solucionar a questão, o problema era o curto tempo para compras de tecido e fazer camisetas a todos os jogadores. Então era preciso ser rápido e não poderia ser branco, Dr. Paulo era muito, mas muito, muito supersticioso, e o branco era a cor do “Maracanaço”. Após andar por várias lojas Dr. Paulo conseguiu uma grande quantidade de camisas azul, e decidiu, o 2º uniforme seria azul.

O 2º uniforme se transformou em um segredo de poucos, os jogadores somente saberiam no vestiário da partida, e tamanha foi a surpresa quando ao invés da camiseta amarela os jogadores viram o uniforme azul. Começaram a questionar, dizer que não seria bom, que o amarelo tinha trazido sorte até então, eis que Dr. Paulo reúne a todos e diz aos jogadores “para o jogo de hoje o uniforme será azul, o Azul da cor do Manto de Nossa Senhora Aparecida que irá nos abençoar hoje e venceremos”.

Dito e feito, Brasil 5 a 1 na Suécia, Brasil Campeão do Mundo, Brasil Campeão na Suécia usando camisa Azul, o Azul de Nossa Senhora Aparecida.

A camisa Azul Dá Sorte!

Capitão no Grito

Mauro Ramos de Oliveira, o grande zagueiro e Capitão Tricolor da década de 50 estreou na Seleção Brasileira em 10 de abril de 1949, foi convocado para as Copas de 1954, 58 e 62. Nas duas primeiras foi reserva e para a Copa de 62 tinha esperanças de jogar, neste ano Mauro que era mais técnico que Bellini se sentia melhor, era a sua última Copa.

Ao ser informado pelo treinador Aymoré Moreira que ficaria na reserva, Mauro disse a Aymoré: “Ou sou titular e jogo ou volto para o Brasil”.

O treinador para sair da saia justa devolveu: “Era isso que eu queria ouvir, Mauro, o titular é você, e será também o Capitão”.

Ao saber da história o elegante Bellini soltou a frase que uniu a Seleção: “Acho justo, agora é a vez do Mauro”.

E a seleção desfilou seu melhor futebol no Chile e coube a Mauro levantar a taça imitando o gesto de Bellini quatro anos antes. Brasil BiCampeão.

Gustavo Flemming, 40 anos de amor ao SPFC, é empresário no segmento de pesquisa de mercado e consultoria em marketing.

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