Febre Tricolor – Desafios que escancaram pontos frágeis

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Lateral tem técnica para ser titular, mas precisará de excelente preparo físico para auxiliar na marcação

A participação do São Paulo na Flórida Cup 2019 serviu para alertar a comissão técnica são-paulina sobre os pontos frágeis da equipe e do elenco. A partir daqui o treinador André Jardine começa a implementar sua filosofia de jogo e tenta torná-la vencedora ao longo da temporada, ainda com dificuldades de assimilação por parte dos jogadores devido ao ritmo de jogo. A necessidade de resultado em curto tempo não permitirá mais falhas, além das duas derrotas no torneio internacional.

Os pontos fracos da equipe e do elenco, identificados pelos torcedores, estão sobretudo no setor defensivo. A presença de Éder Militão na lateral direita trazia, no primeiro semestre de 2018, uma solidez defensiva essencial ao time. Por apresentarem características diferentes, Igor Vinícius e Bruno Peres não conseguiram trazer bônus coletivo similar. Bruno Peres é um jogador de qualidade reconhecida, tem técnica apurada e precisa treinar bastante o senso de cobertura. É um jogador mais pesado, e precisa estar na ponta dos cascos pra cumprir a função coletiva que lhe é exigida. Igor começa agora sua trajetória em um time grande, foi afobado contra um forte adversário. É apenas o início. Mas falhou na primeira, e isso pode ser determinante em um mundo tão competitivo.

André Jardine escolheu iniciar sua trajetória profissional no São Paulo Futebol Clube. Pressionou a diretoria no sentido de que, mesmo com o investimento em sua carreira, poderia ter propostas de outros clubes. Não se sabe se de fato teve. Precisará apresentar resultados imediatos, dada a necessidade do torcedor e cenário insuportável criado pela ansiedade. O treinador tem o melhor estilo de futebol aos olhos de quem o aprecia, como este colunista, que torce mais que todos pelo seu sucesso. Quiçá seja mantido, aconteça o que acontecer e se faça diferente, dessa vez. São muitas as trocas de treinadores nos últimos anos, e os trabalhos curtos precisam acabar.

Tradição internacional

As derrotas do São Paulo Futebol Clube para Ajax e Eintracht Frankfurt prejudicam a tradição internacional do clube e associação da marca à vitória. O grupo de jogadores de 2019 precisa ter ciência do ocorrido, para reverter isso em confiança e força na superação de desafios futuros. Não dá pra tapar o sol com a peneira, pensando em todos os detalhes que envolvem o torneio preparatório por quem comanda o futebol.

Avaliação da partida contra o Ajax

Brenner se destacou na partida, com gol e boa movimentação

A evolução do São Paulo em relação à primeira partida foi nítida. O time “titular” correu um pouco mais. Coletivamente, não era o estilo de jogo que André Jardine pretendia implementar. O técnico percebeu que não dava pra marcar com pressão a saída de bola do adversário, com qualidade técnica e em meio de temporada. Optou por esperar, o que não é o seu estilo de jogo exatamente. Nesse ponto, perdeu mais uma chance de implantar rapidamente sua filosofia, tentando uma vitória de modo conservador.

O desempenho defensivo do time “titular” foi certamente melhor. Não ocorreram falhas individuais no primeiro tempo, e o grupo resistiu às investidas do Ajax capitaneadas sobretudo por Hakim Ziyech e Frank de Jong (já observado pelos gigantes europeus). A movimentação do centroavante Pablo permitiu a penetração de Hernanes, para marcar o único gol do período.

No segundo tempo o time teve boa produção ofensiva e se perdeu defensivamente. É verdade que parou de esperar, e se atirou ainda mais ao ataque. Brenner teve participação destacada no ataque, mas infelizmente perdeu uma oportunidade cara-a-cara com o goleiro, depois de marcar seu gol. Precisa ser mais preciso, pois tem talento inegável. O toque de bola envolveu a defesa são-paulina, e redundou numa goleada.

Avaliação da partida contra o Eintracht Frankfurt

Atacante teve dificuldade de entrosamento com companheiros na primeira partida

O Tricolor tinha claramente dificuldades de movimentação e pouco entrosamento, principalmente a equipe considerada “titular”. Pablo não se encontrou em campo. Hernanes articulou algumas jogadas, mas ficou encaixotado na marcação. Quem foi bem já no primeiro jogo e exige menção honrosa nos dois confrontos foi o ponta Helinho, colaborando tanto em jogadas ofensivas como defensivas.

No segundo tempo houve importante participação de atletas com um maior entrosamento, e de jogadores de qualidade como Nenê e Diego Souza. Este fez uma jogada muito inteligente para o gol de Nenê. O volante Liziero foi destaque no primeiro jogo com boa articulação de jogadas, e Felipe Araruna foi importante no combate ao meio-campo. Como dito, houve falhas individuais de dois laterais direitos que resultaram em gols do oponente. É o início de uma caminhada, e os detalhes estão à mostra para serem corrigidos, além de um jogo a ser aprimorado.

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Alexandre Velame é Jornalista e Advogado, são-paulino há quase três décadas e usuário da SPNet desde 1997. Escreve nesse espaço aos domingos.

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1 COMENTÁRIO

  1. Que bom que você não é só elogios sempre hahahaha, e percebeu o quão danoso pra imagem do clube é ir pra um torneio internacional despreparado. É nosso nome, camisa e história que estão em jogo, não importa o técnico, os jogadores ou o cenário. Muito melhor teria sido ficar no Brasil treinando esses dias todos.