A Palavra da Corte – Votar no óbvio

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Salve, Salve, Nação Tricolor! Depois de muuuito tempo, estamos aqui com nossa coluna que deveria ser semanal, mas tem sido semestral…rs. Não é por falta de vontade que não escrevo pra vocês.

Bem, direto ao assunto: nesse sábado 25 de Maio os associados do SPFC deverão responder se APROVAM ou NÂO APROVAM uma mudança no Estatuto Social da instituição.

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Essa mudança é simples: a partir de Abril de 2020 (quando ocorrem novas eleições para o Conselho Deliberativo do SPFC) qualquer conselheiro regular ou vitalício que assuma algum cargo remunerado no São Paulo, deverá renunciar de sua função como Conselheiro imediatamente.

Não impede que um Conselheiro trabalhe para o clube, mas sim que opte entre um ou outro. Conselheiro ou funcionário / prestador de serviço.

A Proposta de alteração completa você pode ler aqui: http://www.saopaulofc.net/media/197906/Proposta.pdf

Senhores, é algo meio óbvio não? Como é hoje categoriza como total conflito de interesses!

Eu votei a favor desse novo estatuto lá atrás, principalmente pela proposta trazida de profissionalização. Para cargos executivos, segundo o novo estatuto, o clube deveria contratar “profissionais com notório saber em suas áreas de atuação, e reconhecidos pelo mercado”.

Logo esperava-se que o SPFC fosse contratar uma ótima consultoria de recrutamento, divulgar as vagas e fazer um rigoroso processo seletivo. Mas não.

No dia seguinte a eleição do Leco, já se sabia de pelo menos 3 diretorias remuneradas que seriam ocupadas por Conselheiros – todos eles que votaram e trabalharam com afinco para a reeleição do Leco.

O engraçado é que agora, 11 meses antes da renovação do Conselho Deliberativo, até os grupos de apoio a Leco aparecem “orientando os sócios” que votem na aprovação dessa mudança! Mas lhes pergunto, porque aceitaram lá atrás essa prática de “conselheirização” dos cargos executivos? Certamente perceberam o quanto isso é impopular junto à comunidade social e já se preparam pra mudar partes de seu discurso dos últimos anos.

Hoje a maioria dos diretores executivos e outros assessores e profissionais remunerados são também conselheiros! Inclusive o Conselho de Administração, que supostamente também remunera seus membros por reunião. Em tempo, qualquer membro dos outros Conselhos do São Paulo, como o Deliberativo, Fiscal e Disciplinar não são remunerados, e exercem um trabalho voluntário.

Pra ser assim, era melhor o modelo antigo, onde conselheiros assumiam as diretorias e sem remuneração alguma. O próprio presidente, que é visto mais no E.C. Pinheiros do que no Morumbi é muito bem remunerado. E quando precisa aparecer, é omisso. Mas quando o time está bem, reaparece pra dar entrevistas e geralmente trás sua “asa” de azar junto, estragando tudo.

Não há qualquer métrica transparente ou modelo conhecido por todos pelo qual os profissionais são avaliados. Talvez pelo Conselho de Administração, que supostamente deveria dar metas aos profissionais – conselho esse comandado também pelo grupo de Leco. Complicado.

E uma última pergunta, essa a mais intrigante: se aprovada, por que a mudança só entrará em vigor em Abril do próximo ano e não de forma imediata? Talvez porque assim poderiam continuar em seus cargos até a próxima eleição de Conselheiros e assim exercerem alguma influência no pleito? Estranho.

Por isso, quem é sócio do SPFC como eu, terá que gastar parte de seu tempo nesse sábado pra votar em algo óbvio: na alteração do estatuto.

Sei que 99,9% da Torcida do SPFC não está nem aí pra isso, até porque o modelo de gestão do clube passa apenas pelos Sócios do Clube – Conselhos – Diretores – Presidente. Mas é importante todos estarem atentos a tudo isso, pois são esses grupos que definem o futuro da paixão da vida de mais de 18 milhões de Tricolores.

É isso.

Salve o Tricolor Paulista, meu amor hoje e sempre!

Artur Couto é engenheiro,  sócio-torcedor e sócio do SPFC, e é administrador da SPNet. Escreve nesse espaço todas as quartas-feiras.

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@arturcouto

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